Flores e móveis não chegam e decoradores colhem plantas do mato para casamento

Neste sábado (26), os reflexos da paralisação dos caminhoneiros afetaram diretamente o trabalho de Valeria Leão Bittar. A empresa de eventos que leva o seu nome tinha um casamento planejado há mais de um ano em Tiradentes (MG), mas flores, móveis e todos os itens de decoração ficaram retidos nas estradas.

Cooperativas de Holambra (SP), uma das principais cidades fornecedoras de flores no país, têm descartado milhões de hastes, de acordo com o diretor geral da Cooperflora, Milton Hummel. Os produtores da região dependem exclusivamente dos caminhões e, por serem perecíveis, as flores não suportam ficar armazenadas. O mesmo ocorre com flores oriundas de outros municípios.

Para o casamento em Tiradentes, a equipe de Valeria, com a ajuda da família e amigos dos noivos e dos demais profissionais contratados, embrenharam-se mata a dentro para encontrar plantas que pudessem decorar cerimônia e festa.

“Sei que vários fornecedores enfrentaram problemas para organizar suas festas, mas creio que ninguém tenha enfrentado o que enfrentamos na festa da Anna e do Bernardo”, reflete Valeria. Isso porque a maior parte dos fornecedores era de São Paulo e de Belo Horizonte e, desde quarta-feira, três caminhões que iam para a festa foram bloqueados.

Os cerca de 20 profissionais saíram pelas redondezas em busca de móveis para alugar e emprestar, além de candelabros, vasos e flores. Até os enfeites das cabeças das damas e da lapela do noivo foram colhidos na hora. Os convidados também foram fundamentais para levar objetos para a festa, inclusive passando pela estrada e pegando caixas em um dos caminhões parados na rodovia.

Para não faltar comida para os 600 convidados, o bufê contratado alugou sete ônibus para levar os alimentos e os profissionais envolvidos no evento. Valeria diz que imaginava que, por causa do desabastecimento de combustível, a maior parte das pessoas não compareceria ao evento, porém, dos 600 convidados, só 30 deixaram de ir.

O blog não conseguiu contato com os noivos. No entanto, as fotos do evento mostram que o lema do casamento foi “Vai ter festa, sim”, diante da preocupação relacionada aos protestos nas estradas.

Nas redes sociais, não faltaram elogios para o empenho dos profissionais envolvidos.

“Foi uma festa totalmente fora dos padrões, saímos de casa para fazer uma festa de luxo e fizemos uma festa produzida com amor, união e solidariedade”, orgulha-se Valeria.

Não foi desta vez…

Na quinta-feira (24), o jornal Estado de Minas publicou reportagem sobre um casamento cancelado no estado. Os noivos Larissa Lanza e João Marcelo viram o planejamento de meses cair por terra. Os fornecedores da cerimônia que ocorreria em Sete Lagoas viriam de Belo Horizonte. Segundo o texto, o caminhão das flores chegou a ser atingido por um tiro na BR 040.