Após guardar sentimento por 40 anos, ele reencontra o amor de infância e revela segredo
Desde que Marcelo Otero ganhou um beijo da Branca de Neve, sua vida nunca mais foi a mesma. E olha que ele era só uma criança quando, envergonhado, interpretou o anão Dunga na peça de teatro da escola, nos anos 1970. A princesa era Ana Paula de Carvalho, uma amiguinha de classe e de prédio, que ele conhecia desde os cinco anos de idade.

A partir daí, Marcelo conta que começou “a nutrir um sentimento por aquela menina”. Quanto mais o tempo passava, mais encantado ele ficava, no entanto, sem demonstrar. A admiração por Ana Paula e o segredo que guardava fez com ele passasse por maus bocados, como ir à festa de 15 anos dela e vê-la com outro rapaz. E isso durou até o fim dos anos 1980, quando ele mudou de prédio e ela foi embora com a família para outra cidade.
Na era pré-redes sociais, o contato de Marcelo com Ana Paula existia só na cabeça dele. “Todo 23 de janeiro, aniversário da Paula, eu olhava para as [estrelas] Três Marias e desejava encontrá-la”, lembra. Sem notícias de Ana Paula, ele precisava seguir a vida. Conheceu uma pessoa e, em meados dos anos 1990, decidiu se casar.
O casamento não durou muito tempo e logo Marcelo estava solteiro novamente. Voltou a pensar em Ana Paula.
Durante uma viagem, em 1998, percorreu o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, e fez questão de chegar à catedral no dia 23, número que, por causa do aniversário de Ana Paula, havia se tornado uma espécie de amuleto para ele: “Uso 23 para tudo, inclusive para minhas senhas pessoais”. Na missa, o pedido que fez em oração foi objetivo: “Quero encontrar a Ana Paula”.
Enquanto isso, ela caminhava para seu primeiro ano de casada, em Campinas (SP). Dois anos depois, Marcelo casou-se pela segunda vez e teve uma filha, hoje com 13 anos. Ana Paula também teve filhos, um menino, 16, e uma menina, 11.
Essa foi a configuração familiar de Marcelo, 45, e Ana Paula, 46, até 2016, quando ambos se separaram. Na época, ele, com depressão, entrou em uma igreja e fez um pedido –que não era novidade para nenhum santo: “encontrar Ana Paula”.
Dias depois, Marcelo recebeu a ligação de um ex-vizinho dos anos 1970. O antigo amigo havia visto seu perfil em uma rede social. Se o mundo fosse justo, ele conseguiria ao menos alguma notícia de Ana Paula por meio rapaz. Conseguiu mais: o telefone dela.
Junto com número veio a coragem não só de ligar, mas de desabafar palavras que guardou por décadas. Ela ficou atordoada com as revelações e combinaram um encontro em turma. Sem dar certeza de que iria, Marcelo a surpreendeu novamente ao aparecer no bar onde ela estava. “No começo, pensei que toda essa história fosse brincadeira, porque ele sempre foi gozador e nunca notei nenhum sentimento da parte dele”.

Se Marcelo demorou para revelar o que sentia, o mesmo não é possível dizer sobre a relação que os dois construíram desde o reencontro. As conversas evoluíram e viraram planos: a sociedade em um negócio próprio e o tão sonhado casamento no gramado. Sim! E com festa para celebrar.
Marcelo e Ana Paula –que pensou que não se envolveria com ninguém após se divorciar– não se desgrudaram mais e se casam em maio deste ano. A aparente pressa do casal é explicada de forma simples por ela: “Não temos tempo para perder. Temos de viver”.
Hoje, eles são cinco. Os 2 + os 3 filhos, mas, se o Marcelo preferir, 23.
