Grupo faz melhor surpresa a noivos que vendiam trufas em semáforo

Thais, 24, e Arthur do Nascimento, 30, tinham um sonho desde o início do namoro: um casamento com cerimônia e festa. Eles ficaram noivos em 2016 e marcaram a data do enlace para o ano seguinte. No entanto, a condição financeira do casal de Balneário Novo São José (zona sul de São Paulo) não era, digamos, favorável.

Dinheiro nunca foi algo fácil para eles. Eles se conheceram quando Arthur buscava um emprego e Thais o ajudou. Em seguida, perderam o contato. À época, Thais tinha um emprego fixo, trabalhava como garçonete em um bufê nas horas livres e vendia perfumes. Coincidentemente, Arthur era manobrista no mesmo bufê e também vendia perfumes, mas eles nunca se encontraram no local.

Somente anos mais tarde eles se reaproximaram e descobriram muitas características em comum. Até mesmo que uma prima de Thais era casada com um primo de Arthur, em Pernambuco. Em meio a tantas compatibilidades –e “cantadas” de Arthur–, o relacionamento decolou.

“Com três meses de namoro, Arthur já queria casar , até sobre ter filhos no futuro conversávamos, mas decidimos que nos casaríamos em 2017”, conta Thais.

Thais e Arthur, que vendiam trufas de chocolate em semáforo, para pagar o casamento
Thais e Arthur, que vendiam trufas de chocolate em semáforo para pagar o casamento (Arquivo pessoal)

Embora tenham se planejado para ter o casamento que sonhavam, no meio do caminho, as coisas foram saindo dos trilhos. “A casa onde eu morava com minha família estava impossível de ficar, com as chuvas, sofríamos com a quantidade de água que entrava. Isso nos obrigou a alugar uma nova casa, gerando custos”, diz Thais. Além disso, Arthur perdeu o emprego e começou a trabalhar como motorista do Uber para que o casal conseguisse pagar o que já havia sido contratado.

Diante dessas dificuldades, eles decidiram vender trufas. A mãe de Thais fazia os doces em casa e eles vendiam pelo Facebook. A estratégia parecia boa, mas logo eles perceberam que isso não era suficiente.

“Estávamos a poucos meses do casamento e com muitas coisas para pagar. Foi aí que o Arthur tomou coragem e começamos a vender na avenida perto de onde morávamos. Deu certo, mas, como o movimento não era tão grande, o Arthur deu a ideia de irmos para o cruzamento da avenida Faria Lima com a Juscelino Kubitschek [área nobre da capital paulista].

Lá passamos a ir todos os dias. Eu saia do trabalho às 17h30, encontrava o Arthur e vendíamos até umas 21h. Aos finais de semana, ficávamos praticamente o dia todo trabalhando para que pudéssemos honrar nossos compromissos. Houve dias em que estávamos doentes, com febre, dente extraído, mas, ainda assim, ficávamos firmes e fortes. Nossa meta era casar e sabíamos que era necessário pagar o preço para isso. Diariamente, fazíamos uma oração pedindo a Deus que nos guardasse e movesse o coração das pessoas para nos abençoar. Depois de vender, contávamos o dinheiro, agradecíamos pelo lucro do dia e também apresentávamos as pessoas que contribuíram e as suas famílias”, relembra Thais.

Em julho do ano passado, dentre tantos motoristas que presenciavam a árdua rotina, um deles resolveu parar e fazer mais do que comprar trufas. A empresária e decoradora Andrea Saladini, que assina produções de casamentos luxuosos e de eventos com Tony Blair, Paris Hilton, entre outros, no Brasil, foi conversar com a jovem que usava um véu de noiva e com o rapaz que portava uma placa: “nos ajude a casar, duas trufas por R$ 5”.

Após conhecer a história do casal, Saladini convidou-lhes para o Estrelas, evento para especialistas do mercado de casamento organizado por ela. No local, os palestrantes eram profissionais acostumados a produzir casamentos para a classe A e B, como a cerimonialista Marcia Possik, diretora da Marriages, os fotógrafos Marco e Carol Costa e o ganhador do reality Batalha dos Confeiteiros, Rick Zavala, entre outros.

Foi lá também que o blog Enfim Sós conheceu Thais e Arthur e pôde vivenciar a emoção deles quando praticamente todos os palestrantes e outros fornecedores da plateia fizeram fila para presentear o casal com seus serviços. Decoração, fotografia, cerimonial, orquestra, dj, iluminação, vestido de noiva, traje do noivo, recreação infantil, aula de dança, R$ 1000 em compras, mimos para o chá de cozinha, doces finos, forminhas, sobremesas, bolo e dia da noiva e do noivo fazem parte da lista lista de “recebidos” pelos noivos.

Nem mesmo Saladini contava com a corrente de generosidade. Ela havia conseguido algumas parcerias, mas não esperava que todos se sensibilizariam e doariam seus serviços –disputados no mercado de luxo.

“Vivemos um milagre. No momento em que estávamos no Estrelas e vimos cada pessoa se levantar para nos abençoar só conseguíamos lembrar de quantas vezes nós pedimos por isso, quantas vezes nós choramos em ver tudo desmoronar”, emociona-se Thais.

Thais e Arthur se casaram na data e no local que já tinham escolhido e pagado, Ilha da Madeira, na zona sul. A celebração, porém, superou todas as expectativas. “Era  impossível termos um casamento como tivemos”.

E o sonho não parou quando o último convidado se foi. O casal também ganhou a lua de mel em um resort de Cancún. Mel Altobelli, uma designer de interiores que assistia ao evento, se emocionou com a perseverança dos noivos e resolveu oferecer o presente. Rindo, Thais se lembra da emoção que sentiu: “Não sabíamos se estávamos felizes por ter casado, por ter ido para lua de mel ou por estar no lugar dos nossos sonhos”. Foi a primeira vez que a jovem viajou para o exterior.

Não pense o leitor que o valor arrecadado com as trufas não foi usado no casamento. O casal pagou o espaço, o bufê, uma cabine de fotografias para os convidados e um voo de helicóptero para a chegada da noiva.

Depois da experiência de generosidade, Thais afirma que, embora considere a empresária Andrea Saladini como resposta de suas orações, as pessoas não devem  jamais”desistir de seus sonhos e, para isso, é preciso correr atrás e se esforçar. Quando plantamos fé, colhemos milagres!”