Por que alguns casais preferem casar em casa (ou em lugar bem parecido)

Por Dani Braga
Mariana e Pedro se casaram na casa do padrasto dela, no litoral paulista (Foto: Som em Cena)

Mariana Pastore nunca se imaginou casando em uma igreja, porque só as frequenta em datas especiais. O tradicional para ela é que a celebração seja feita em casa mesmo, isso porque a irmã casou na casa da mãe delas e o meio irmão trocou o altar pelo quintal da casa de praia da família.

O jardim do local, na Barra do Sahy (litoral paulista), também foi o lugar escolhido por Mariana para a união com Pedro, em 2016. O noivo aprovou a opção na hora, porque “a ideia era fugir das formalidades”.

Esse, talvez, seja um dos principais motivos pelos quais casais trocam igrejas e grandes bufês pelas residências, transformando o casamento em um evento mais familiar –sem falar na economia.

Há alguns meses, o blog abordou o crescimento do número de casamentos feitos em casa como uma alternativa perante à crise econômica, mas, ainda que muitos casais desejem um “mini wedding”, casar em casa não é uma realidade para qualquer um um, afinal, nem todos dispõem do mínimo espaço para isso.

Como o quintal de Mariana é espaçoso, os noivos conseguiram reunir os 250 convidados para a cerimônia –a festa ocorreu em um hotel, na mesma rua. “Além de não precisar de decoração, pois o jardim é muito bem cuidado e cheio de plantas e flores, foi muito emocionante reunir tantas pessoas queridas em casa. Hoje, toda vez que vou para lá, me lembro da cerimônia”, conta.

CASAMENTO NA CASA (DE ALGUÉM)

Pensando em oferecer espaço e aconchego para os noivos que desejam um casamento mais despojado, porém bem organizado, é que alguns profissionais têm investido em “mini weddings” com cara de festa de família. É o caso de Mario Galluzzi e sua Cozinha de Afeto, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo).

Chef Mario Galluzzi, da Cozinha de Afeto, em SP

Com passagens pelos restaurantes D.O.M e Dalva e Dito, de Alex Atala, o chef usa sua experiência na cozinha para promover casamentos para até 60 pessoas. Só que o anfitrião não se limita a almoços e jantares, cuida também dos doces, do bolo, das bebidas, das lembrancinhas, da decoração, da organização e até do som da festa.

O espaço de Galluzzi, que comporta até 65 pessoas, tem sala, escritório, horta, copa, cozinha e um quintal arborizado que pode receber festas, cerimônias e funciona como um restaurante às sextas, sábados e domingos.

O clima de informalidade começa com a duração da festa. “Enquanto tiver gente, nós continuamos servindo comida e bebida”, diz Galluzzi, que estranha quando noivos chegam até o local com um script meticulosamente calculado, pedindo degustações, menus fechados e quantidades exatas de porções: “Eu prefiro conversar sobre o que os noivos gostam e não gostam e servir de tudo, uns cinco tipos de pratos, à vontade”.

Até as louças foram pensadas para “deixar os convidados em casa”. É possível, por exemplo, que cada um dos 65 convidados da festa use um tipo de prato ou copo diferente, afinal “se um prato quebra na casa da sua avó, ela não descarta o jogo todo, vai misturando”, justifica Galluzzi.

Espaço interno da Cozinha de Afeto, em Pinheiros, São Paulo (Foto: Divulgação)

Para quem vai começar uma vida a dois, casar em casa pode ser sinônimo de economia e um incentivo ao afeto e às lembranças se o casal conseguir aproveitar espaços, objetos e a criatividade dos amigos e familiares, inclusive na “hora do sim”. Mariana e Pedro, por exemplo, convocaram amigos próximos para falar durante a cerimônia.

Além do clima aconchegante, é comum nesse tipo de celebração o DIY (“do it yourself” –faça você mesmo), em que os noivos e a família produzem elementos para fazer parte do evento. No caso de Mariana, como a mãe é arquiteta e o noivo ama flores, toda a decoração da festa foi elaborada por eles. Já na Cozinha de Afeto, Galluzzi sugere que os casais levem peças, imagens e mimos que façam parte da história de vida do casal, como na festa da Adriana e do Beto, abaixo:

 

Para realizar a festança familiar na casa de Mario Galluzzi, os noivos desembolsam de R$ 90 a R$ 350 por convidado, incluindo refeição, bolo, doces, bebidas, decoração simples e set list musical.

Se a ideia, porém, é casar na própria casa, não deixe de calcular e levar em consideração alguns itens:

  • Como será a prestação de serviço durante a festa (bufê, garçons, limpeza)?
  • O barulho vai atrapalhar a vizinhança?
  • Há estacionamento para os convidados?
  • A cozinha do lugar comporta a quantidade de alimentos a ser produzida e armazenada?
  • Há assentos suficientes para os convidados? Ou precisará alugar?
  • Há cobertura para o caso de um casamento no jardim com chuva?

E você? Se pudesse, faria o seu casamento em casa? Conte ao blog: enfimsos.folha@gmail.com.